sexta-feira, 30 de abril de 2010

1.

Realmente não é preciso estar apaixonado para se falar de amor. Chega disso tudo. Novo mês, nova página, novo capítulo.

E se?...

Quando aquela sensação é ativada uma vez, pode dormir muito tempo dentro de quem sente. E quando tudo aquilo reaparece? Aparentemente havia sido esquecido.
Isso, esquecido, não morto.
Estava ali naquele cantinho mais escondido que, no mais breve momento, ressurgiu e tomou destaque com um impacto ainda maior, avassalador, urgente.
Antes não era pra ter sido, senão seria. Não foi. Será agora?
Tudo mudou. Mesmo. Coisas evoluíram, outras levaram um ponto final.
Porque aquilo não sai da minha cabeça? Toma meu tempo, meu espaço. Tira meu sono mas também me dá euforia, arranca minha concentração e ao mesmo tempo me foca.
Agora daria certo? Existiria reciprocidade?
O que leva uma pessoa, antes tão segura de si, ter tantas dúvidas circulando em formas de choques gelados pelo seu corpo?
E se eu arriscasse? Colocando em risco outras coisas, as quais também me fazem bem.


E se?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Adoro essa música, simples assim, talvez sem motivos.


Uh Huh Her - Run
All alone in the world and you came and followed
But you gave me lots of reasons and you gave me things to swallow
She cuts you off from everything, and love why don't you run?
You're wasting my time, You're wasting my time here
She is the girl i love to care about, girl why don't you run?
All along I had reason to be hollow
But you came into my life and gave me back my confidence, yes
You are the one you love to care about, girl why don't you run?
You're wasting my time, you're wasting my time
I want to turn you off so I can forget
Nothing that you do will make me regret
You were the one I loved to care about
But now I've got to run
You're wasting my time here, you're wasting my time

terça-feira, 27 de abril de 2010

Poesia em prosa.

Se um dia escreveres para mim, não escreva como boba apaixonada ou com frases feitas.
Escreva como quem tem sede, como quem tem fome, como abstinente.
Escreva como quem cansa, como quem descansa, como quem transpira.
Escreva com urgência.
Só não tenha pressa para tudo ser dito.
Diga aos poucos, com a pressa

de quem tortura.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sintoma.

Deito, não durmo.
Estudo, não me concentro.
Bebo, sinto sede.
Como, não sinto fome.
Penso, não desperto.
Ando, me perco.
Planejo, palpito.
Acordo, agito.
Vejo, sorrio.

Respiro.

O que quer que seja, que venha à tona logo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fato.

Sento-me dentro daquela sala de aula quente e barulhenta, fazendo força para permanecer focada. Impossível. Entro por um túnel de pensamentos, o barulho some e uma película imaginária de imagens aparece perante meus olhos...
Lembro-me de breves momentos. Fui apenas eu que os valorizei? Ou quem sabe simplesmente ficaram na minha cabeça por serem inéditos. Aquela proximidade pode ter sido um acidente. Foi um acidente.
Colocar em risco uma amizade por um breve deslize não vale a pena. Mais fácil seria garantir que não aconteceria novamente. E não acontecerá, não à força ou por uma atitude não recíproca. O que me remete a pensar em meu atual estado de espírito, um tanto confuso nos últimos dias, porém constantemente estável e confortável. É o que posso chamar de paz.
Os últimos seis anos tiraram de mim o que era mais precioso. Dormir apaixonada e pensando em uma só pessoa com um frio na barriga ou pensar em um dia inesquecível é bom, mas não mais tranquilo e sossegado do que chegar em casa depois de uma tarde com amigos cheia de risadas ou de viajar com mochila nas costas com um amigo pra curtir o final de semana e voltar como se tivéssemos vivido a maior aventura, também inesquecível.
Ambiguidade? Ou seriam apenas dois lados bons de uma mesma moeda?
É bom ter aquele sossego de estar com quem se gosta, ao mesmo tempo é bom ter o sossego de estar sozinha cercada de amigos. Falta de um, falta de outro. Deixo por conta do tempo, amigo inseparável e leitor de pensamentos, que com certeza saberá o momento certo de virar o lado da moeda.

Quebra-se o silêncio. Desperto. Abstraio.

Enquanto isso, mochila nas costas, estudo, diversão, viagens e amigos. [Fato]

domingo, 11 de abril de 2010

Baque.

E a cada final de semana alguma coisa a fazia pensar profundamente. Algum pequeno detalhe remetia a acontecimentos passados. Hoje foi a conclusão de mais um capítulo que, de certo modo, já havia sido encerrado. Foi o ponto do ponto final.

Andava cabisbaixa por notícias que a pegaram de surpresa na tarde anterior. Nunca foi de ter algum tipo de ressentimento, mas aquela ferida, de tão cutucada, foi crescendo e se tornando maior. Não foi coisa de briga com amigo ou problemas do dia-a-dia, aquilo a perseguia desde que se entendeu por gente... ou de quando aprendeu a amar incondicionalmente.

Pausa: para ela, amor incondicional, como o próprio nome diz, não existe condições, não há necessidade de trocas, é sublime.

Ela foi crescendo, sendo criada por uma família nada comum. Aquela figura protetora, de braços fortes e voz grave, pouco aparecia; e de tão pouca presença, aquela garotinha correu atrás para fazer essa presença acontecer. Foi difícil. Ela estava indo em busca de alguém que, se duvidar, nem se importava... um cara "ideal" com síndrome de Peter Pan que mal enxergava que aquela garotinha era mera criação e responsabilidade dele.

Hoje ela é adulta, personalidade forte, que sempre corre atrás dos seus sonhos, não tem mais aqueles cabelos curtos e azuis, usa óculos escuros para disfarçar qualquer pensamento, é de poucos amigos, nenhum amor companheiro e anda a chutar pedras na rua. Gosta de conversar e filosofar sobre assuntos incomuns, gosta de escutar as pessoas e apreciar cada detalhezinho da vida. Tem dificuldade para falar sobre sentimentos ou expressá-los. Muitas vezes, por consequência de ser sozinha, tenta conversar com pessoas que muitas vezes não têm tempo ou espaço pra isso. Infelizmente, uma figurinha às vezes um tanto solitária.

Aquela ferida já havia se tornado uma quelóide das feias e aquele sábado havia sido o suficiente para a cicatriz reabrir. E lá ia ele, embora novamente... sem se importar ou avisar. Ao saber da notícia de que ele se mudaria seu coração esfriou, gelou da primeira artéria do coração até a boca do estômago. Sentiu raiva, sentiu solidão, desprezo, indiferença. Misturou situações amorosas, amigáveis e familiares. Sentiu-se diminuída, inquieta, carente e desconfortável com tudo. Aquele homem era o pai dela e nunca ao menos marcou presença.

Ela estava cansada, dá pra entender o que se passa na cabeça de uma pessoa machucada: milhões de coisas, uma vida inteira.

Não era de seu feitio "meter as caras" e ver o que dava... gostava de deixar passar pra quem sabe um dia a ferida cicatrizasse novamente e aumentasse, já estava ali mesmo, e estava acostumada. O fato é que aquilo já era uma marca, sempre estaria ali para qualquer momento em que esbarrasse a lembrança, feito aquela marca no joelho que nunca se esquece.

Hoje aquela garota fez diferente. Apareceu naquele salão e o encarou. O cumprimentou como se nunca nada a tivesse afetado. Um dia comum. Ele a chamou para ajudá-lo nos últimos detalhes de entrega do apartamento para que pudesse entregá-lo ao corretor. Subiram as escadas. Com receio ela parou por segundos ao batente da porta. Quanta história as paredes daquele apartamento guardavam. Dirigiu-se à sala, e lá permaneceu. Não quis ver o que já foi seu "quarto", aquelas paredes guardavam mais lembranças e planos ainda. Agiu com um bom-humor forçado e brincadeiras sem vontade. O dia passou e ela se despediu sem conseguir abraçá-lo, como se fosse um "até logo".

No caminho de volta pra casa pensou no amor, de todas as formas que ele pode acontecer:
  • Não tem muitos amigos, mas os ama sem nunca pedir nada em troca.
  • Ama o que é, o que faz e onde vive. Cada época à sua maneira.
  • É desajeitada demais pra paquerar ou fazer qualquer tipo de coisa relacionada a isso, e dai? Será capaz de amar um dia da mesma maneira.
  • Sua família não é comum, nem completa, mas foi tudo até hoje e é seu amor incondicional.

Mas se ela estava lá, andando pelas calçadas de São Paulo, morando em um apartamento bem situado e sem passar fome, era àquela família que ela devia tudo isso. Foi aquela família de mulheres fortes e batalhadoras que a criou e que ela se baseou para ser alguém que tivesse força para passar por qualquer dificuldade, que tivesse opinião formada e voz firme pra dizer e saber o que quer.

Já havia se esquecido da situação passada brevemente. Estava com o peito cheio de orgulho, estava curada. Ela nunca precisou dele para estar aonde está. Sentia-se feliz, não de uma maneira vingada ou negativa, mas sim por ter fechado aquele capítulo que antes não fora bem resolvido.

E chegava em casa com um sorriso.